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Produção, pão e circo

Produção, pão e circo

 

A linha  é um lugar de produção...

Na fábrica, é lá onde as coisas acontecem.

Tem o tempo do trabalho,

tem trabalho todo o tempo.

Mas não tem o momento do operário...

 

Tem o espaço para a oficina

que abriga o senso da disciplina.

Tudo roda no ritmo da rotina.

Mas para não adoecer

tem que ter o espaço do lazer.

 

Tem  máquina ditando o tempo a se obedecer.

Tem operário gritando por espaço

para libertar a cadência desse padecer.

Tem no ritmo marcado um novo compasso

para não enlouquecer.

 

O Samurai moderno acata a reivindicação,

cedendo espaço para o descanso,

deixando o operário distenso.

Enquanto canta no ritmo da produção

esquece o tamanho da exploração.

 

Confirmando a alienação,

ao reforçar o velho chavão:

“Para o povo pão e circo”.

Fazendo o ganancioso mais rico,

com o peão empurrando a produção...

Literatura

EternizArte
Helio Valim
Helio Valim Seguir

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Com mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Mestre em Engenharia.

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