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Nem venha

Nem venha

 

Não venha não
Que sou de paz

Se no mingau tem caroço
Alvoroço eu sei fazer viu
Por outro lado entendi
Que muita coisa tanto faz

Já engoli tanto choro
Fermento gritos em coro
E já sei ler meus sinais

Quando misturo e curo,
Sou índia
Sou terra, sou linda
Sou o que basta ser

Quando me tranço
Sou preta
E jogo até capoeira
E faço a terra tremer

Quando brinco leve
Pivete
Faço da língua, gilete
E sinto o couro ferver

Mas também rodo a baiana
Quando não cabe ser branda
E faço o dendê escorrer

Abro a gaiola 
Me empurro pra longe
Mergulho fundo
E não quero nem saber

Mas não sou de ferro, não, viu?
Um afago, um xamego
Fácil, fácil amoleço
E descompasso o coração

Pois sou mesmo
É de paz
Não venha não

Literatura

EternizArte
Fabiana Amorim
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Às vezes sou estrela Às vezes peregrina Sou também vento E, por vezes, Brisa leve De vez em quando Tempestade Mas, Em raros e bons Tempos me torno flor

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