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Minha guitarra, minha parceira

Minha guitarra, minha parceira

 

Durante uma apresentação, no ápice do solo, finalizando uma performance, a correia da guitarra se rompe e antes que pudesse agir minha Fender Stratocaster Squier Classic, preta, com visual e feeling dos anos setenta, cai no chão do palco. Pude acompanhar em slow motion todo o movimento até o inevitável choque.

Com imensa tristeza e dor vislumbrei que tal choque quebrou o braço dela e, simultaneamente, estraçalhou minha alma. Quantos momentos vividos em parceria tão fiel, sem qualquer traição ou rompimento, fidelidade raramente encontrada. Anos de parceria interrompidos em apenas alguns segundos.

Observando com mais cuidado percebi que o braço rompeu na altura do headstock, que é a cabeça ou a mão da guitarra, não atingiu a escala, porém empenou o tensor, o que poderia causar uma torção no resto do braço.

Com o coração partido peguei minha guitarra, coloquei-a em sua case e busquei o auxílio de um Luthier conhecido. Chegando à oficina, o especialista analisou os danos e, como um “doutor em cordas”, proferiu o seu diagnóstico. Minha Fender, poderia ser reparada e novamente ajustada.

Passado alguns dias de ansiedade retornei à oficina e reencontrei a minha paixão. O Luthier pediu que a testasse. Ao tocá-la percebi que apesar do braço quebrado, agora reparado, a alma continuava intacta. Então, num momento de êxtase, solei slides, bends e vibratos cheios de emoção. Minha parceira voltou!

Literatura

EternizArte
Helio Valim
Helio Valim Seguir

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Com mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Mestre em Engenharia.

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