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Lamento a jusante

Lamento a jusante

Incomodados com minhas curvas

retificaram minhas margens,

canalizaram o meu leito

e tornaram as minhas águas turvas.

 

Enquanto corria livre no meu vale,

alternando minhas voltas,

construíram uma cidade

sobre a minha várzea

sem nenhuma piedade.

 

Cercearam meu bailar maroto,

interromperam meu respirar,

me empurram seu esgoto

e ainda dizem me amar.

 

Quando me revolto,

minhas águas eu não controlo...

Transbordo!

Portanto, qualquer chuva apertada

vira, logo, enxurrada.

 

Então, me xingam,

querem me aterrar,

esquecendo que um dia

em minhas águas foram nadar...

Literatura

EternizArte
Helio Valim
Helio Valim Seguir

Alguém interessado em usar a poesia como uma crônica poética do cotidiano, com realismo e imaginação. Com mais de 30 anos no magistério superior tendo lecionado em Instituições de Ensino no Rio de Janeiro. Mestre em Engenharia.

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