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Eu prometo

Eu prometo

Não faço promessas

além do que meus olhos,

mãos e bocas conseguem tocar.

Eu juro, não consigo.

 

Eu consigo prometer coisas banais do cotidiano.

Se assim tiverem valor pra você,

prometo que serão diariamente

e especialmente todos seus.

 

Prometo que durante nossas viagens de carro,

vou colocar nossas músicas em som alto,

cantar em meu melhor tom,

ainda que desafinado e irregular,

dedicando cada nota musical a um piscar de olhos seus.

 

E prometo ainda parar num canteiro da estrada

e arrancar uma flor qualquer de um matagal,

só para te oferecer e colocar nos seus cabelos,

lindamente já desarrumados pelo vento.

 

Prometo que todos os cafés feitos pelas manhãs serão diferentes,

mesmo que sejam sempre do mesmo pó.

Mas estarei sorrindo o todo tempo,

de um jeito novo ao prepará-lo.

Talvez eu consiga adoçá-los de maneiras novas

para te ver despertar sempre melhor.

 

Prometo que seu nome ecoará dentro dos 1.440 do meu dia,

revezando entre saudades e desejos.

E prometo que quando contigo, os 86.400 do seu dia,

serão cuidadosamente tocados por minhas mãos em sua pele.

E se não as sentir, apenas feche os olhos.

 

Prometo que vou tentar aprender a dançar melhor,

para te puxar, de repente do nada,

no meio da sala e jogar nossos corpos,

de um lado para o outro,

até a música parar num beijo seu.

 

Eu prometo que vou esquecer algumas datas especiais,

que vou deixar toalha molhada pela casa

e que vou me atrasar em alguns encontros.

 

E prometo que em todos esses casos,

estarei com um pedido de desculpas sincero,

porque falho como sou, intencionalmente,

tentarei não te magoar.

 

Eu não consigo prometer que vou te amar

todos os dias e para sempre.

Mas, se tudo isso que prometi servir,

acho que estarei no caminho certo.

Prometo!

Literatura

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