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Choro mesmo

Choro mesmo

Choro
Choro sim
Choro porque sou egoísta
E sem pedir licença
Apago meu eu altruísta
Porque penso que a dor que me assola
É pior que a do mundo lá fora
Porque quero pedir "dois altos"
Quero descer do salto
Quero voltar atrás
Quero paz

Choro
Choro mesmo
Porque é frio o outro lado da tela
Porque cansei de contemplar a janela
Porque nem é justo chorar
Por não poder vomitar
Tudo que minha mente produz
Teor repulsivo feito pus
Quero findar o lamento
Silêncio

Choro 
Porque estou cansada de chorar
Farta de me lamentar
Por fazer do meu choro reza
Ladainha dissonante que se apressa
Em me entediar e me arremessa
Contra o muro espinhoso da rotina
E mirar o pescoço na guilhotina
Porque quero calar
Por não saber que ouvidos vou cansar
Quero ar que seduz
Quero luz

Choro
Choro ábdito
Por tantos sentimentos adestrados
Por tanto aceno frustado
Por não ter liberdade para bradar
Até estourar as veias da garganta
Desejar a ressaca que me acalanta
E perder as forças de vez
Esfriar minha tez
Quero ligar latitudes
Plenitude

Literatura

EternizArte
Fabiana Amorim
Fabiana Amorim Seguir

Às vezes sou estrela Às vezes peregrina Sou também vento E, por vezes, Brisa leve De vez em quando Tempestade Mas, Em raros e bons Tempos me torno flor

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