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Bolinhas de Sabão

Bolinhas de Sabão

 

A primeira que fiz uma bolinha de sabão, eu ainda estava bem pequenininho. Elas pareciam mágicas. Até então era a coisa mais bonita que eu já tinha visto no mundo.

Tudo era muito simples; bastava uma velha caneca de alumínio, um pouco d’agua, um pedacinho de sabão azul em barra, e um canudinho de mamona. Antigamente existiam muitos pés de mamona no mato.

Então eu pegava o canudinho, colocava na canequinha, e batia, batia, batia. E soprava bem levemente o canudinho. Dava até prá perceber o ar dos meus pulmões passando suavemente pela parte interna do canudinho, que formava  então uma bolha. E esta bolha ia crescendo, crescendo, crescendo, até se transformar numa  linda bola de sabão. Grande, transparente e levemente multe colorida e alegre.

De repente uma leve brisa ia de encontro a minha bolinha de sabão, que se misturava com tantas outras bolinhas de sabão na imensidão do céu azul.

Então eu ficava olhando todas aquelas bolinhas de sabão, e em especial a bolinha que eu fiz, claro.

E ela corria, corria, corria e brincava feliz como crianças no campo, tomando banho de chuva na rua, ou jogando bola.

 E subia, subia, subia bem longe... até que de repente sumia. Então eu chorava, chorava, chorava muito.

As vezes eu penso que a vida é assim... como bolinhas de sabão. Leves, coloridas, lindas, efêmeras. Que sobe, sobe, sobe, ganha o espaço infinito, e um dia se vai lentamente, prá nunca mais.

Gravura : Suzart Suzart

 

Literatura

EternizArte
Raimundo Moura
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(DRT 9922/BA) ator, dramaturgo, produtor. Pós – graduado em Arte Educação, Professor de Teatro(UFBA)

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