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Noites sombrias

Noites sombrias

Sonho mais belo não há, do que o milagre da cura. 

Noites sombrias avançam, pelas madrugadas frias.

Em tempos de longas esperas, soluços dilaceram a alma. 

Prenúncio de um breu cadavérico, o socorro urgente precisa chegar.  Máscaras ocultam sorrisos, heróis suavizam a dor. Que avassala o peito, o coração, vozes estranhas entoam cantigas. Doce acalanto, que o sofrimento ameniza.

O corpo desfalecido adormece, e em sonhos renasce. É a vida que segue agonizante, pelos dias cinzentos.

No isolamento, a dor rasga o peito, sem dizer adeus, mais vidas se findam. Existências perdidas, pessoas amadas sepultadas. Espera sem fim, presságios, temores... Angustias adentram pelas noites sombrias.

Na madrugada fétida, sirenes, rasgam o silêncio da noite. Ao longe retine o apito do guarda, que entorpecido, protege a rua desértica. Cães uivantes, correm enfurecidos, irados atacam os carros fúnebres. Coração apertado pressente, pelo pior que ainda virá. Em questões de minutos, muitas vidas dissipam. Intolerável é esta ausência de vida, até quando suportar? Até quando?

O relógio alienado marca o tempo, de mais uma noite sombria. De repente, gargalhadas ecoam alguém da morte escapou. Risos abocanham a noite sombria, o bem amado também se curou. A chuva que cai, lava a alma, de quem são e salvo, ao lar voltará. Na capela os sinos pranteiam, o destino é testemunha. Da triste partida, de um anjo socorrista.

Por descuido do acaso, a COVID o venceu, zeloso guerreiro, que muitas vidas salvou. Sua existência serenou, eternamente descansarás, junto ao pé da cruz de madeira. Rogo para que sem demora, chegue à cura abençoada. Para que a minha, a sua, a nossa vida, volte ao novo normal.  

Neuci Cavassani

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