[ editar artigo]

ventania

ventania

Sinto os fios dela emaranhados aos meus, num espaço invisível aos olhos. Conforme vou me movendo, eles balançam junto, trazendo para perto cheiros, toques, vibrações do nosso corpo em contato. Hoje eu entendo, não é exatamente frio na barriga que se sente quando se ama, é ventania. Porque o vento em sua maior intensidade, gira. E assim, as partículas se movem. Não por inquietude, mas porque se entregam ao ritmo que as carrega dançando. 
Quando se percebe, as miudezas tomam forma e nos formam inteireza costurada das coisas que voaram por aí, entre tantas pessoas, ela. Entre tantos fios possíveis de conexão, os nossos. Que de propósito, esticam, desfiam, mudam de cor, sem se largar por motivos mundanos. 
De ponto a ponto no topo de nossas cabeças as conexões dançam como as algas nas profundezas do mar. Embaladas pelo som da agulha entrando e saindo do tecido, assentando nossa história em linhas, pra quem quiser ler, em relevos pra quando quisermos nos tatear.
Alongando nossas cores mundo a fora. No espaço vazio e fértil entre o céu e a terra. Tecidas, feito aranhas, que constroem seus arranjos com fios tirados de nós mesmas, unindo tempo e espaço, você e eu, num circular infinito de nossas manifestações e possibilidades. 
Com nossos pares de mão, apalpamos a matéria vida entre os dedos, deixamos escorrer pelos lados para então nossas superfícies se misturar na viscosidade quente e úmida do fio de seiva que percorre a teia da vida, a transportar as pequenas conexões que nos mantém vivas e latentes onde quer que estejamos.

 

@_meadasemeandros 

#Poesia #Concurso #EternizArte

EternizArte
Larissa Gonçalves
Larissa Gonçalves Seguir

Sou poeta e artista visual. Filha de ventres conterrâneos, cria paulistana dos slams e saraus de SP. Impelida a manifestar os sons de dentro através de poemas objetos e performances urbanas.

Ler conteúdo completo
Indicados para você