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Todos os restos humanos ensandecidos

Todos os restos humanos ensandecidos

Tento fazer de tudo, mas tudo eu deixo de lado.
O tempo é tão perverso
que ele corre
descontrolado.

O tempo é o vento.
Ele bate, ele passa.
Ele está presente
mas não faço nada
e tampouco vejo motivo na minha respiração.
E o tempo corre e me atropela
tento fazer tudo a tempo
mas o tempo me é vão.

O tempo passa mas eu não passo
não ando devagar
eu dou salto
em tudo que sou feito.

Por isso hoje quero me debruçar sob o parapeito
de um lugar alto
e vomitar os meus órgãos aflitos 
espumar sangue escuro
e todos esses restos humanos ensandecidos.
Quero olhar para a gosma
para os viscos
lá tem tudo que tem dentro de mim
os nojos
os vícios
tem um tempo
sem fim.
Os rostos
que foram vistos
e que passaram
bem longe
mas que passaram
por mim.

Passaram depressa demais.
E eu deixei tudo de lado.
Porque agora sei que o tempo me é excelente
e eu é que sou descontrolado.

 

#Poesia #Concurso #Eternizarte

EternizArte
Luc Da Silveira
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Escritor, poeta, roteirista e jornalista, amante de cinema e literatura.

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