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Sussurrando verões

Sussurrando verões

O olhar adentra em júbilo

o decote da tua Jerusalém indefesa

prestes a cair nas mãos de um Saladino obstinado,

que nenhuma cruzada ímpia deterá.

Armada em fúria,

avanços pelos flancos para tuas defesas caírem impotentes

ante a entrega iminente.

Corem, ó filhas dos sem pecado, ante a sanha irrefreável

dos onze generais rompendo as paliçadas,

portões, trincheiras,

colocando abaixo a resistência tênue

de alguns poucos rebeldes sem voz.

Invasão mansa, lenta,

arrebatando para o sétimo céu

os olhos afundados em labaredas.

Respire acalmada, ó filha de Eva,

pelo teu ventre, salivas;

pela tua boca, solidões.

Avante, Pégaso. Invadamos os portões de Tróia.

Adiante, Bucéfalo. Percorramos os Campos Elíseos

banhados de suor, heroísmo e paixões.

Ándale, ándale, Rocinante.

Adentremos as alucinações quixotescas.

Somos grandes por sermos átomos de sonhos, poesia e despudores.

Invasão posta. Jerusalém, nada santa,

prostrada ao lado do herói apátrida.

Um sorriso escorrido nos lábios de ambos,

e um amor recortado, impuro,

perfuma o ar dos montes e vales

ardendo sob o sol aristotélico da Ática sussurrando verões.

EternizArte
Paulo Ras
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De alma helênica, paixões ancestrais, poética pra que me quero. Vendo o mundo passar, arte na veia, palavras em valsa. Tudo ao mesmo tempo, sem tempos para respirar. Simples assim.

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