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Silêncio

Silêncio

Para Gustav Klimt

Como traduzir as coisas: vazio, expressão, socorro !
Socorrer, usar a língua portuguesa de um jeito único
Para isto acontecer tem que viver de um jeito único a sua própria vida
Gratidão, agradecimento, RES quer muito agradecer a Deus, ao infinito, ao que é
claramente maior que ele — não importa o nome que isto tenha, mesmo que não
tenha nome, mesmo que não tenha forma, pouco importa, mesmo que ele esteja
errado, pouco importa, importa agradecer.
Gratidão, rezar, oração, prece, “voluto”, consagração, amor, vocação, escolhido,
eleito, messias...
benzedeira, benzer, benção, uma coisa leva a outra, uma incapacidade leva a outra
incapacidade maior ainda
De tão cheio de incapacidades
Tombo para a janela de mim
Tombo, vaso para aquilo que me faz frente, e desapareço, e reapareço num lugar
inesperado
Cheio de luz, de uma luz sem
Nome, fresca, cheia de vontade de vida.
Esvaziar, xícara vazia, silenciar, um tipo de mudez
Um tipo de açude
Um tipo de igarapé
Uma palavra que jamais usaria: [não é minha]
Minha: é o que não me pertence
O que pertence já não é mais meu
O que pertence ruiu
O que pertence passou
O que pertence se foi
O que pertence faliu

O que pertence não é meu
Deus do céu onde estou?
Onde vou? Onde me é aqui?
Onde sou eu em mim?
Onde sou eu onde não sei de mim?
Pois onde sei de mim, ui!
Rompendo isto tudo estou ainda
Em algum lugar de mim, quem sou eu para me referir-me a mim?
O que me autoriza-me a me referir?
Para me referir tenho que ter posse de um perímetro de mim,
Sem isto, sou quarteirão inteiro desconhecido, em busca de termos ideais para um
poema
Termos ideais para viver a minha custa, custa caro,
Pago um alto preço para ser eu, [e não sobra tempo para ser mais nada ] e isto me
garante o quê?
Vale a pena pagar um custo tão alto para ser eu, para quê? Se posso sair por aí, e
ganhar a vida mais descompromissadamente, — MINTO — mas, pelo menos menos
autoritariamente comigo mesmo, não é isto que eu queria dizer — mas o que eu
queria mesmo dizer nunca vou chegar até ele, nem sei se é “ele”, o próprio “ele” se
desfaleceu, “ele” pode ser “ela”, e “ela” pode ser transumano. Tudo em que acreditei
não existe mais, estou em pele nua, ao vento, não sinto frio, só as faces coradas.

#Poesia #Concurso #Eternizarte

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