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Sei que uma hora a saudade aperta e toca a campainha da sua porta.

Sei que uma hora a saudade aperta 
e toca a campainha da sua porta.

Como se fosse um fantasma do deserto,
você volta com aquele arranjo bem feito.
Se colocando atrás do vermelho sangue
mostrando seus lábios roxos.

Nunca fui o homem dos seus sonhos,
mas eu tenho todos os sonhos que seu homem não pode te realizar.
Preferiu se afastar,
que é bem mais fácil do que encarar sua própria realidade.

Nunca fui o homem dos teus sonhos,
mas te levei pro céu uma vez,
porém foi insuficiente, era baixo demais,
pra quem corre adrenalina nas veias,
como corria nas tuas.

O problema foi ter me apaixonado por outras curvas 
que não eram as da estrada.
Me apaixonado por esse seu pé no acelerador,
fazendo tudo ir mais rápido
do que deveria.

Na primeira chance 
já me sentia como parte do seu nome, da sua cor,
da sua blusa, do timbre da sua voz,
e da sua rota daqui pra frente.

Todas as placas de direção estavam erradas,
sua gasolina já estava baixa.

Não sei se ainda se importa,
mas cada vez que você registra uma fotografia nova,
vejo cada traço que deixei lá. As flores como cenário. 

Virei um exemplo de frase das músicas que você gosta,
geralmente sem ser o refrão,
nada muito importante, 
nada muito relevante.

Acho que faz de propósito,
pra me fadar ao fim infernal que é te amar.
Acho que foi por querer
que escolhi me apaixonar.
Essa tua leve ironia entre os lábios superiores
me parece ser uma notável superação,
ou sabe fingir muito bem toda essa questão.

Não sei se lembra de mim quando olha pra elas,
se é que ainda tem aquelas cartas. 
Será que sente falta?

Mas eu sei que uma hora a saudade aperta, 
e toca a campainha da sua porta.
Quando acaba sua correria, sua rotina,
ao encostar os ouvidos no travesseiro,
ter um tempo de pensar, quando a mente se aquieta...

É no silencio que são ditas as verdades,
e pra mim, que não sobrou muita coisa, 
vejo nesse meio de entulhos, que alguns chamam de "pensamento",
uma faísca de esperança, 
menor que a chama do seu isqueiro na escuridão 
do centro da cidade,
mas bem maior que o cheiro do teu perfume é:
sentir e não saber que direção você está hoje.
Aquele prédio enorme, aquelas escadarias velhas,
é lá que vai ficar por alguns anos da sua vida.
Sempre que eu passar, por acaso, nunca vou me esquecer
que um dia esteve lá dentro.

Nunca mais vou ser o mesmo
sabendo que esteve tão perto assim,
nunca me perdoarei por te deixar escapar
como uma fumaça de um radiador velho,
como uma gota d'água de um arranha céu perplexo,
de uma lua que não sabe se quer ou não aparecer.

Mas espera, 
ainda vai lembrar e sentir.
E sei muito bem que ela aperta,
mais forte que um nó, aperta,
na garganta faz um buraco, se vira em formato de laço, 
sufocando, querendo entrar pela culatra.
E acha a melhor saída até os olhos.

Aperta tanto...
que faz qualquer um chorar.
Até o coração mais duro é capaz de se magoar
com todas as verdades que eram expelidas 
das suas glândulas salivares.


 Dedicado a garota de cabelo curto, que amava tomar café.

- Hudson Henrique.

Da obra: Todas as músicas que nunca cantei. (Disponivel no AmazonKindle)

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Hudson Henrique.
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Hudson Henrique. Escritor e compositor brasileiro. Ganhador do primeiro concurso EternizArte, com o poema "Assoprando dentes-de-leão contra a tempestade". Site oficial: www.hudsonoficial.com Aonde me encontrar: https://linktr.ee/hudsonhenrique

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