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SANTO OFÍCIO

SANTO  OFÍCIO

             - João Carlos Catalão

Eu que debocho dos templos

dos santuários

com seus padres e freiras que cheiram a mofo

em que me persigno antes de entrar nos bordeis

e só diante das putas confesso meus crimes

e transformo o vinho em sangue

e leio o futuro nas coxas daquelas doces damas

que soltam barbaridades de suas bocas

mordendo os lençois

escrevo novos testamentos

reescrevo os velhos

em canções de missa

escrevo mandamentos para as secretárias

que fornicam nos escritórios

multiplico os pecados por todas as cidades 

e se tornam capitais

abro círculos para que todos

caibam neste doce inferno...

se me crucificam

não me coloquem entre os ladrões,

porque é certo que não ressuscitarei

entre os mortos,

ficarei lá embaixo sonâmbulo,

em êxtase,

cheirando o perfume do subsolo

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