[ editar artigo]

RENDIÇÃO

RENDIÇÃO

 

Mesmo que eu estivesse na praia dos anjos,

Que navegasse em ondas remotas

Ou vestisse a carapuça dos magos,

Eu nada seria sem o amor dos homens.

 

Se minha rendição trouxesse a paz,

Se eu pudesse estabelecer a conexão

Entre o mundo e a voz,

Se pudesse criar a verdadeira comunhão,

Ainda andaria atrás de um nome.

 

Se eu soubesse de onde venho,

A quem eu sirvo,

A que me presto

Ou mesmo se sou o resto de um todo,

Estaria entre as partes do vazio.

 

Eu poderia criar o semblante daquela estátua,

Poderia lhe dar a cor rubra do sangue,

Poderia entalhar olhos azuis,

Lapidar os braços mais fortes,

Dar-lhe dentes para sorrir,

Pernas para correr nas trincheiras,

Ainda assim seria pedra.

 

O mesmo na tela.

Onde a nuance segue à esmo,

No ritmo inconstante

De um céu que muda a todo instante

Em consequência dos ventos bravios

Que trazem chuva e frio,

Pincéis descarnados de alma.

 

A calma do mundo não depende de mim.

 

Mesmo que entre as trombetas

Meu canto ainda se ouça,

Peço aos surdos que me convençam

A manter contato com os deuses

Na esperança que desça dos céus

O véu que cobrirá a terra

Na incólume tentativa da morte,

De romper com a sorte do tal destino.

 

Ileso da visão do medo,

Peço que as cruzes que se pregam em meus passos

Apontem para o chão,

Lugar que me deito de braços abertos.

 

Ainda que eu grite

Degolando as artérias em aflição,

Sem o amor dos homens

Encontrarão sangue

Nas linhas das minhas mãos.

 

#Concurso #Poesia #Eternizarte

EternizArte
MARIO SERGIO DE SOUZA ANDRADE
MARIO SERGIO DE SOUZA ANDRADE Seguir

Santista, morando em Floripa. Música, cinema, teatro (não faço nenhum dos três, mas gosto). Escrevo há muito tempo, quem sabe um dia eu aprendo. Tenho bons vícios, ler, sonhar e viver o que me é possível, sempre acreditando que a cura virá ...

Ler conteúdo completo
Indicados para você