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Plomos, plumas e pombas.

Plomos, plumas e pombas.

Eu sou um personagem,
um personagem que atua em sua própria vergonha.
Que escreve peças e novelas de romance para adolescentes inconsequentes,
desvairados e loucos.

Eu sou um personagem que atua em sua própria e mera existência pouco significativa. 
Coadjuvante na mesma cena em que é ator principal, 
que não beija a mocinha no final. 
Que não se deita com nenhuma princesa formal.
Sou inexistente, desmiolado, mas ainda sou jovem e criança.

Enceno cenas que não se repetem só em minha cabeça,
jogo beijos para os lados e para cima, mas ninguém lá guarda em caixas. 
Vira vento, vira insignificância duvidosa e perplexa.

Eu sou um personagem, um animal, 
animando a própria aparição rápida de cinco minutos pra menos, 
exigindo um ganho maior, em uma fama maior, sendo um (com um pau maior, com uma aparência melhor) simples e imperfeito: defeito.
Sem devolução de fábrica, 
sem garantia de uso e abuso. 
Sem frequência nas coisas grandes que a vida não te aguarda.

Sou uma miniatura, uma miniatura esculpida de gesso,
que cada batida foi se quebrando com o tempo, 
foi se machucando ao avesso. 
Desaparecendo por dentro.
Até virar farelo (e tempero) do tempo.

Nunca vi moinhos de vento, nem senti o trigo nos lábios. 
Ressecados e impuros pelo sol
que me empurrava pra dentro do calor.
Por isso sou um personagem, um personagem imitando a vida real e suas artes, 
tentando escrever versos que te tragam algum tipo de felicidade ao serem lidos com vontade. 
Imito a vida real, mas ela não me copia, não me julga, não me atrasa. Não conforta.

Sei de coisas que te fariam suspirar,
sei de fatos que te fariam dormir e nunca mais acordar.
Mas sei de coisas das quais poderia te fazer chorar... de alegria.

Somos camelos procurando água pra continuar a caminhada. 
Mas só tem visagem... só tem miragem.
Mas só tem alucinação. 

E eu, admirado mais do que louco, 
sei um pouco das coisas plenas 
em dias de devaneio.

Fiz um roteiro completo 
onde não há final nem exagero complexo. 
Mas existe um grande nó 
que não se desfaz na garganta por qualquer gole de álcool. 

Existe um lugar 
que não vai ser preenchido por qualquer riso torto e desorientado, 
minha roupa não irá ser tirada
por qualquer silhueta errada.

Mas somos todos peças de teatro.

Ensaiando, ensaiando… 
pra no final,
ter um belo fim.

E isso não muda absolutamente nada em mim.


 - Hudson Henrique.

EternizArte
Hudson Henrique.
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Hudson Henrique. Escritor e compositor brasileiro. Ganhador do primeiro concurso EternizArte, com o poema "Assoprando dentes-de-leão contra a tempestade". Site oficial: www.hudsonoficial.com Aonde me encontrar: https://linktr.ee/hudsonhenrique

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