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O menino e a esperança

É preciso ter esperança

Já dizia o velho poeta naqueles versos

Nas palavras sempre é possível bonança

A realidade nos coloca problemas diversos 

O sabiá de cantar não se cansa

A vida é repleta de reversos

 

Como é fácil a vida dos passarinhos

Pensou o menino, olhando pela janela

Voam, tranquilos, juntos ou sozinhos

Sentiu um cheiro gostoso que vinha da panela

Queria ir brincar com seus amiguinhos

Antes, teria que pedir a tia Manuela

 

Antes de sair, trate de almoçar

Foi o que a tia o respondeu

Só queria ir brincar

Mas o almoço foi o que aconteceu

E a louça teve que lavar

Depois na rua o menino apareceu

 

A brincadeira já havia acabado

Não encontrou mais ninguém

Ao longe viu um casal de namorados

Esperança, é esperar por alguém

Mas o menino se sentia abandonado

Viu a pomba voando do armazém

 

Quantos pombos haviam na cidade

Será que todos estavam a esperar?

O menino achou aquilo uma barbaridade

Logo começou a chuviscar

Tudo aumentava a velocidade

Ninguém queria se molhar

 

Quanta esperança interrompida

Por uma chuva despretensiosa

No banco do armazém uma sacola foi esquecida

Será que tinha uma coisa gostosa?

O menino ficou curioso com a sacola na cadeira carcomida

Podia ser uma rosca saborosa

 

O menino sentiu vontade de lá ir 

A tal sacola não saia do seu pensamento

Estava com esperança de algo descobrir

Podia ser qualquer coisa ali dentro, já seria um alento 

Caminhou uns passos, mas sua tia gritou pra subir

A chuva engrossava, mais forte ficava o vento

 

Nesse dia, o menino nem na rua brincou

Era tão bom encontrar a garotada

Quando menos esperava, o tempo virou

A esperança é meio assim, um pouco espevitada

Quando a gente vê, nos desapontou

Chega sem querer, muito desavisada

 

O que a tal esperança seria?

O que escrever na redação? 

Pedida na última aula pela tia

Ficou no seu quarto pensando, até ouvir um trovão

No vizinhança foi só uma gritaria

Com todo aquele barulhão

 

O menino dormiu pensando

Sobre a esperança no planeta

Com isso acabou sonhando

Que era veloz como um cometa

Eternamente voando

Acordou e logo pegou a caneta

 

A esperança é como uma brincadeira

Aquela que ele havia perdido

Deixa a gente alegre, é certeira

Com muita intensidade, podemos sair ferido

Ou brigar por qualquer besteira

Ter esperança é bem divertido

 

O menino seu texto finalizou

Em seguida, fez sua leitura

Alguns erros consertou

Olhou pela janela a noite escura

Lá longe de uma casa a luz se apagou

Teve a certeza que a esperança era feito fechadura

 

#Poesia #Concurso #Eternizarte

EternizArte
Thiago Fernandes
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Ator, contador de causos, escritor, palhaço e pesquisador, entre muitas outras coisas. Graduado em teatro, mestre em Artes Cênicas e doutorando em Estudos Literários na Universidade Federal de Uberlândia.

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