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O azul-escuro de José

O azul-escuro de José

 

Eu− que no canto estou − me chamo José.

Alguns me apelidam de Zezão.

Dever ser porque tenho cabeça grande.

É o que dizia minha tia − a mulher do Luisão.

Mas não é isso o que acontece.

Dizem que é falta de interação.

 

Pra entender, vou te contar uma coisa:

Desde o meu nascimento dói dentro.

Nasci, quando a borboleta azul avoou.

Naquele hospital com olhos perdidos então nasceu o vento,

Que não sabia muito bem onde olhar.

Pensava com imaginação de criança sozinha na busca de alimento.

 

Até que um dia um anjo nasceu.

Era um ser celestial diferente que tinha na palma da mão o amor.

Vim ao mundo num dia azul−escuro.

Naquele hospital não sabia explicar os olhos perdidos, seria dor?

Ou a busca pelo sentido da vida,

Que ia me explicar o destino de uma flor?

 

Então pra terminar depois de algum tempo.

Vinte cinco anos quem sabe.

É bom falar pra que isso não se cale!

Indo a muitas consultas médicas e a vários especialistas

A resposta tardia veio: Ele é autista!

Que morando no próprio mundo azul,

Desenhou o seu com muita dor;

E, ao mesmo tempo, com muito amor.

EternizArte
José Carlos Batista
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Sou professor. Gosto de ler e escrever.

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