[ editar artigo]

O Amor de Dulcinéia e Arthur

O Amor de Dulcinéia e Arthur

A bruma, que um dia se dissipou

Trouxe o amor, que por tanto tempo se reinventou,

Pelas lágrimas vertidas por Dulcineia e Artur

E pelo sorriso de ambos, que se desvaneceu.

 

Do Olimpo ao Cáucaso, de Chipre à Islândia

Em Afrodite e Ares, Brighid e Angus, Eros e Psiquê,

E no caso do amor proibido de Julieta e Romeu,

Nas idas e vindas, por tantos tempos, longa distância se percorreu.

 

Em nenhum tempo se vira tamanho amor, tanta dedicação,

De almas gêmeas que se juntam e que se fragmentam,

Que percorrem espaços vazios na busca constante,

De um encontro definitivo, de uma eterna aproximação.

 

Se ela é agora, a Música, ele é a Arte e a Poesia.

Enquanto um se aquece numa manhã quente,

O outro clama por um alento, numa noite fria,

Procurando colo, uma palavra doce, um abrigo.

 

Mas um anjo decidido ruflou um dia, suas amplas asas,

E se juntou à natureza toda, compadecida, em revoada

Tramando ligar, para sempre as duas almas gêmeas separadas.

E que a eternidade as mantivesse para sempre unidas.

 

Então, de muito longe, o sonho de Artur soprou no de Dulcineia,

Suas juras de amor verdadeiro e eterno, e seu beijo.

E a moça sentiu seus lábios tocarem os dele e estremeceu

E por uma distante terra, estranho era seu anseio.

 

O anjo bom que protegeu Dulcineia, veio em seu auxílio,

E a levou, em suas próprias asas, voando pelo céu,

Seguindo o rastro de matizes que a natureza pintou,

De um arco colorido que enfeitava o firmamento azul.

 

Mas do rosto da moça as cores se desvaneceram

Em pleno êxtase, de tão ansiado reencontro,

E de seus olhos marejados, duas lágrimas verteram,

Quando viu Artur, desfalecido, em febre, por amor delirando. 

 

Então, Dulcineia juntou suas mãos em prece, 

Um coro de anjos entoou uma suave canção,

Em socorro de Artur, que jazia desfalecido e inerte,

E que tão grandioso amor se agraciasse em benção.

 

Mais anjos se juntaram ao canto, os deuses despertaram,

Acordaram-se também fadas e gnomos, elfos e duendes,  

E toda a natureza chamou de volta a alma pura de Artur

Que já desvanecia resignada em espaço etéreo.

 

Sobre o moço, esmorecido, Dulcineia pousou suas mãos,

Aproximou seu rosto ao dele e beijou-lhe a face já fria.

Pediu em silencioso lamento, entre soluços e lágrimas

Para que todo o universo fosse complacente à sua triste súplica.

 

Mas depois de tantos suspiros, encontros e desencontros,

Artur arfou o peito três vezes e abriu os olhos entressonhando.

De mãos unidas, os dois juntaram os lábios em beijo longo,

Resignados, devolveram suas cansadas vestes do espírito,

E eles voaram pelo infinito, unidos para sempre, na forma de anjos.

#Poesia

#Concurso

#Eternizarte

EternizArte
Rosângela Araujo Pires Vig
Rosângela Araujo Pires Vig Seguir

Minha maior ligação com a Poesia é a Arte e a paixão pelas cores e pelas formas. Veio daí a formação em Letras, o Mestrado em Comunicação e a vontade de escrever. Escrevo para sites e sou professora de História da Arte.

Ler conteúdo completo
Indicados para você