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Ninho do Urubu

Ninho do Urubu

 

Ninho de sonhos,
Ninho de craques,
A casa do mais querido.
Alguns sonhos realizados,
Muitos deles interrompidos,
Sobretudo por uma peneira impiedosa.
Dez, contudo, por uma tragédia horrorosa.

Um ano de grandes conquistas
Começou extremamente mal.
Jovens promessas futebolísticas
Entraram para as terríveis estatísticas
de mortes devidas a acidentes evitáveis.
Athila, Arthur, Christian, Bernardo, Jorge,
Gedson, Rykelmo, Pablo, Vitor e Samuel.
Talvez eles estejam jogando bola no céu.
Embora seja uma imagem reconfortante,
O que importa agora é acalentar seus pais
E resolver as pendências o quanto antes.

Famílias devastadas por suas perdas.
Diretoria elitista carente de empatia,
Priorizando dinheiro em vez de afeto.
Rivais com comportamento abjeto,
aproveitando-se da desgraça alheia.

A maior e melhor torcida do mundo
Compadecida as crias homenageia
E cobra por atitudes à altura do clube,
Bem como a reparação merecida
Pelas famílias deveras sofridas.

O Ninho do Urubu ardeu em chamas.
Futebolistas partiram precocemente.
Mas persistem as chamas da esperança,
Que muitas vezes é o que resta
Nas vidas de milhares de crianças.

Muitos filhotes ainda serão criados
E viverão momentos de alegria e festa
Com segurança adequada, espera-se.
Sabemos que poucos serão consagrados
Mas todos devem ser protegidos e educados.


(Trecho do poema “Ninho do Urubu”, de Alexandre Carvalho, em POEMAS NADA ROMÂNTICOS - Volume 1, 2020)
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EternizArte
Alexandre Carvalho
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Cientista e Escritor.

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