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Jogo da gata e da traça

Jogo da gata e da traça

Não posso colocar-me na pele de uma traça.

Mas esta que tenho a esvoaçar pela casa vai para mais de uma semana,

está certamente a passar a pior fase de sua vida.

A minha gata deu com ela, e já não lhe larga o rasto.

Já não bastava à traça ter estado detida entre quatro paredes um terço da sua existência.

Agora, quando quem sabe já tinha aceite os limites aos quais estava confinada,

é-lhe imposto um voo continuo, sob pena de ser devorada por uma ameaça cujas formas ela desconhece.

O que eu vejo de onde estou,

confinado no meu corpo, é uma brincadeira não assumida pela minha querida gata.

Quem não pode ficar a saber da brincadeira, é a traça.

Assim acabava a brincadeira.

E é por isso também, que a gata quando deita a pata à traça, liberta-a imediatamente.

A traça volta a esvoaçar, em trajectórias imprevisíveis, mudanças de direcção inesperadas, num jogo de aproximação e afastamento.

Será um jogo para a traça?

Vamos ver um exemplo. Não. Tarde demais. Ela já a apanhou. A brincadeira acabou.

Daqui de onde estou, parecem os dois satisfeitos.

A traça, ou parte dela, mais até que a gata, que agora parece ter ficado com um mal estar na boca.

Vai passar. Vamos ficar todos bem, até porque nos cemitérios não se ouvem gemidos de mal estar.

#Poesia #Concurso #Eternizarte

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