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“Já não era pra terem morrido todos de coronavirus?” — redes sociais, autor infelizmente conhecido.

“Já não era pra terem morrido todos de coronavirus?” — redes sociais, autor infelizmente conhecido.

 

Respiro logo existo.

Penso … Penso?

Quando bate não tem essa de pensar.

Só o adiar da dor de todo dia.

Um dia de cada vez.

Um teco de cada vez.

Um cachimbo agora e tudo passa.

A vida some o mundo some.

Mas volta, sempre volta e de repente.

Volta a vida.

Viver é dor.

A fome de ontem é a mesma de hoje e amanhã.

Fome de corpo e de alma.

Não há lar nem descanso, só o esquecimento.

Dura o tempo de uma dose.

A modéstia quase esquecida.

Higiene nem palavra mais é.

O calor humano se confunde com o torpor.

Existe amor entre os caídos?

Existe fidelidade entre os proscritos?

E no entanto vivem.

Invisíveis.

Forçadamente esquecidos.

Existência indesejada, execrada.

Quem são os humanos afinal?

 

#Poesia #Concurso #Eternizarte

EternizArte
Sergio Bino
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Sempre fui o leitor. Ávido, voraz, com sede sem fim, com necessidade sem fim. Se eu pudesse eu leria tudo. Ou quase. Agora olho o mundo e tento capta-lo. Escrevo às vezes. Ainda aprendo, pois aprender é viver.

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