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INFERNO

INFERNO

(André R. Fernandes)

Me acordem. Me acordem
Desta aflição angustiante
Onde me encontro preso
No meu próprio sono.

Na qual estou, ouço gemerem
Gritarias soluçantes
Cheiro de enxofre
Almas debatendo.

Ponham cobras na boca
Dos maníacos.
Abrem as barrigas dos
Homicidas para os ratos.
Arrancam a cútis dos
Falsos profetas.

Me acordem. Me acordem
Vejo unhas afiadas dilacerando
Os aliciadores de crianças.
O tempo aqui não passa
As horas congelaram.

Pedem perdão porque aqui não há
Só há sofrimento e choro.
Bravejam para ter misericórdia
Só há dolência e ranger de dentes.
Tentam escapar, impossível!

Os zombadores apanham 
Incessantemente.
Os conciliábulos são os piores
A sofrerem ininterruptos.
Os escarnecedores sofram
Com as mariposas no ânus.

À vista disso, não tem água
Comida, descanso, paz;
Só desespero e mais desespero.
Me acordem. Me acordem.
Parecem não me ouvirem.
Entro em pânico estertorante.

Me acarretam para outro lugar
Em que vejo são almas sendo 
Escalpeladas por escorpiões.
Os incrédulos na lava de fogo
Os corruptos engolem vômito de porco.

Eles se divertem com sofrimento
Riem ouvindo o choro das almas
Coloca-os no tanque para fervê-los
Nunca estão satisfeitos para castigá-los
Extirpam a cabeça das almas.

Me acordem. Me acordem.
Deste sono enraizado
Vejo-me no lugar de sangue e fogo
Sinto meus olhos queimarem
Minha pele derretendo como cera.

Quero voltar para matéria
Me acordem. Me acordem.
Alguém aí! Me acordem…
Sinto que estou sendo arrastado
Para as profundezas do inferno.

Me acordem...

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André R. Fernandes
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Sou graduado em Letras pela Universidade Nilton Lins. Professor de Literatura, Gramática, Redação - Produção textual e Revisor de Textos. Finalizando a Pós-graduação em Língua Portuguesa pela Escola Superior Batista do Amazonas - ESBAM.

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