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Idílio II

Idílio II

 

A casinha é branca com janelas azuis, um imenso terreiro na frente rodeado de pequenos pés de algaroba.

Dois pés de sabugueiro, um de cada lado, um afago da natureza aos olhos.

A mulher de braços cruzados, a janela a olhar a vastidão da caatinga tremeluzente.

Nem percebe os bicos dos seios belos e fartos a roçarem os braços, mas alguns arrepios a fazem lembrar as loucuras da noite passada entre lençóis, carícias e afagos.

Não se abala com a revoada das jaçanãs, nem com o casal de carcarás a planarem no céu azul.

A bela paisagem não impede a de sentir aquele formigamento gostoso entre as pernas, que vai subindo e abrasando todo o corpo, como o sol que queima o tabuleiro.

E o delírio da noite passada entre os lençóis transpõe as paredes do imaginário para além desta aquarela sertaneja.

 

Fernando Alencar

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Poesia

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