[ editar artigo]

Dias vazios

Dias vazios

Vazio me parece ser os dias que corre.
Vazias as horas que se apresam a denunciar o vazio dos outros,
Nossos infernos. Mais o inferno não são os outros?

Doentes,
Doentes da demência das almas,
E o cerco da assustadora ideia de ter que se ver frente ao espelho.
Ver-se em si não é nada fácil,
Ver o mundo doente e não poder se levantar e lutar,
Por estar tão doente quanto o mundo.

Nas ruas vazias,
Cercadas pelo ego e egoísmo.
Egocentrismo.
Verse dentro de si e não olhar para mais nada além do próprio casulo que lhe foi criado.
Criado na ideia que nada importa mais que suas dores.
As dores dos outros carecem de evidências mesmo essas diante dos seus olhos.

Mais não importa,
Nada importa se a ti não convém.
Tu que se alimentas das dores para sentir-se um pouco mais afortunado ao ver as dores dos outros doerem mais.

Nada importa.
Não importa se o céu está cinza e tóxico,
Não importa a Amazónia devastada,
A guerra no Oriente Médio não importa,
A África com seus milhares de mortos pela fome e os hipócritas banhando-se em rios de dinheiro,
Não importa.

As dores são singulares,
Claro.
Ninguém é obrigado a dar o que é seu.
O “seu”, acumulado da exploração dos que para ti são inferiores.

Tua alma doente, tu nem mais sente
E tu cria um deus inalcançável
Para justificar o injustificável
Que deus?
Aquele que tu criaste para si?

E se tu verses farto?
O que tu ganhas?
O que tu ganhas é teu,
Nada mais importa
Não!
Nada importa porque o mundo, o mundo é teu.

Só que teu mundo ele fede,
Ele sangra.
Teu mundo não é o mesmo que o dos outros
Por que teu mundo, o teu mundo ...
Ele morreu.
                                                                                          
                                                                                                           (Micaele Dantas)

Ler conteúdo completo
Indicados para você