[ editar artigo]

Devora-me

Devora-me

Devora-me, como o vento e as ondas vão devorando e consumindo as encostas dos morros e rochedos.

Devora-me, como se tu fosse um animal selvagem e eu a sua presa abatida.

Devora-me, como faz a neve branca e gélida que se espalha pelo campo,

consumindo as pradarias e a relva verde.

Devora-me, e consome toda a minha carne e sangue, como os abutres e hienas

o fazem nos vastos pastos da África.

Devora-me, como se eu fosse a sua última ceia.

Devora-me, como se tu fosses um predador, me destruindo e aniquilando as

minhas forças.

Devora-me, como se fosse um vírus, um cancro, que vai aos poucos corroendo

meus ossos, células e todo o meu corpo.

Devora-me, como se fosse um monstruoso atroz, bárbaro e cruel que vai

destruindo tudo por onde passa.

Devora-me, até não mais restar fagulhas ou centelhas deste meu ser.

Devora-me, e depois enterra as minhas sobras, meus restos, e o que restou de mim ou incinere-me e jogue minhas cinzas ao vento, ao leu, para que eu possa ser lembrado pelos quatro cantos deste mundo.

Devora-me e depois de saciar a tua fome e sede, lembre-se que estarei dentro de ti e você em mim!

Devora-me...

 

                                                                                                                       Luiz Francisco Bosquiero                                                                                                                                                   ( maio 2020 )

#Concurso#Poesia#Eternizarte

EternizArte
Luiz Francisco Bosquiero
Luiz Francisco Bosquiero Seguir

Publicitário, massoterapeuta, escritor e poeta

Ler conteúdo completo
Indicados para você