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Desabafo de um preto

Desabafo de um preto

 

Minhas lembranças são vozes e ecos,
Das desditas que já suportei,
Nos meus dias há sempre o incerto,
Que faz lembrar o passado sem lei.

Tenho uma pele com muitas memórias,
É um solo de alegria e dor,
Ela torna as minhas vitórias,
Tão bonitas quanto a minha cor.

Meu cabelo traz grande imponência,
No caminhar eu imprimo o orgulho,
É forjado pela resistência,
Esta flor que emerge do entulho.

Pelas ruas a polícia intimida,
Ainda riem do meu bom cabelo,
Dizem que a se gente vitimiza,
Nos humilham com seu baculejo.

Nas ruas, guetos e favelas,
O meu povo colore as praças,
Vitimado pelas sentinelas,
Artistas de tantas desgraças.

Não desejo o mal para os brancos,
Todo mundo quer a felicidade,
Mas não venham querer passar pano,
Nas histórias de tanta maldade.

Minha cultura não se chama folclore,
Seus costumes têm grande valor,
Os traços do meu povo não morre,
Pois neles plantamos o amor.

Nossos velhos nos dão os conselhos,
Pra lidar com a violência,
Refletida nos homens sem espelhos,
Os profetas da maledicência.

Minha força vem da luz da terra,
Não permite que eu desanime,
É esperança pros dias de guerra,
Um presente de um Deus tão sublime.

Os meus passos eu os dou com cuidado,
Desviando dos caminhos das balas,
Dos projéteis que têm matado,
Tantos pretos que gritam as suas falas.

Pouco a pouco se desfaz o mistério,
Das memórias de uma grande dor,
Ignorar um assunto tão sério,
É como o crime de pisar numa flor.

19.07.2020

 #Poesia #Concurso #Eternizarte
 

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