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DENSA PROVA

DENSA PROVA

Provei o amor com fogo

Para ver de onde vinha,

Com que intensidade chegava.

 

Provei-o como quem prova o dia

Para ver se vem chuva

Ou apenas sol de neblina.

 

Dissipar-se-iam as brumas?

Brilharia forte como o meio-dia?

 

Provei o amor com fogo

Para ver aonde iria,

Se me levava junto ou se despedia.

 

O tempo prova a verdade,

Basta olhar o céu

E esperar a confirmação das nuvens:

 

Ou elas o levarão para longe,

Ou brilhará cada vez mais absoluto.

 

Provei o amor com fogo,

Como a prata, o ouro mais puro,

Porque desejava saber a profundidade,

A altura.

Com réguas, medi,

E lâminas puras.

Usei palmos de mãos em candura.

O amor ficou provado.

Uma liga de ataduras atava meu coração,

Ferido nas chamas

D’uma provação tão dura.

 

Reprovado foi na prova

Do amor, e da doçura.

Deixou-me um gosto de fel

E de densa sepultura.

Em meu peito abriu-se uma cova.

Não pude chorar, partiu-se,

Como esvaecem as dunas,

Levadas pelo vento

Sem destino, sem firmamento.

E no fim,

O que restou no tempo:

 

Um juramento sem juras,

Brilho sem resplendor.

Um beijo não beijado.

 

Um colo sem afago,

Som sem ausculta.

A imagem no espelho,

 

Onde só existe ele...

O amor que não conheço.

#Poesia #Concurso #Eternizarte 

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