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Covas abertas

Covas abertas

 

É terrível.

Há milhares de covas abertas

aguardando friamente

o corpo do moribundo que não quis morrer.

Mas morreu.

 

Lá se vai mais um e mais um

Jogado na cova aberta aguardando mais um.

 

E lá fica, no chão de barro firme e sujo os restos, as vidas.

O que fica depois da morte.

Pedaços de gente viva

Com cacos no peito

E tempestades na cara.

 

Que terrível, lá se vai mais um amado

ser querido meu.

Que não é meu, mas sinto que fosse meu

Pois é gente como eu.

 

Tinha setenta anos ainda nas mãos.

Mas escorreu em um descuido.

Em um deslize que nem percebeu.

 

Se foi. Jogado na cova aberta.

Deixando para trás...

Gritos e um vazio ainda maior que sete palmos.

EternizArte
Bianca Blauth
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Escritora iniciante de fantasia, e escreve poesias as vezes.

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