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CALÇADA FRIA, CIMENTO GELADO E PELÃO QUE NÃO AQUECE A TRISTE REALIDADE DOS MORADORES DE RUA

CALÇADA FRIA, CIMENTO GELADO E PAPELÃO QUE NÃO AQUECE A TRISTE REALIDADE DOS MORADORES DE RUAS

Autor: Natal Alves França Pereira

Mais adaptados ao clima tropical predominante na maioria das regiões brasileiras, nos dias mais frios os mais necessitados sofrem com a baixa temperatura. Se não é fácil para quem pode contar com o conforto de um lar, para onde pode retornar e ficar protegido por um teto, se agasalhar com roupas mais quentes, alimentar melhor, beber um leite quente, deitar em cama agradável e cobrir-se com bons cobertores, imaginem o quanto sofrem os moradores de rua. É triste saber que no Brasil e no mundo inteiro, milhares de famílias dormem pelas calçadas, que o frio concreto lhes serve de cama e se cobrem com papelões nas ruas, onde crianças e jovens aprendem a ser valentes para continuarem vivos. Além de tudo isso, eles precisam ter coragem para enfrentar os preconceitos, as agressões e as pesadas cargas de problemas que vivem diariamente, sem perspectiva, quase sempre vivendo por trás do estereótipo de drogados, sendo que para muitos, a droga é apenas mais um fator problemático de suas vidas, que por algum motivo, os empurraram para a situação de moradores de rua.

Infelizmente, a dor, o sofrimento e a miséria de uns, servem de combustível para o enriquecimento de outros, que explorando a sensibilidade e a boa vontade, especialmente do povo brasileiro, arrecadam doações para fins humanitários e os desviam para benefícios próprios, não destinando para os necessitados, como por exemplo, às vítimas de enchentes. Alguns políticos, mal intencionados, procuram criar secretarias e ministérios com altos cargos, disponibilizando verbas que poderiam ser utilizadas para socorrer as reais necessidades existentes. Lamentavelmente, no nosso país, os problemas quase sempre se resolvem tirando do alcance da visão e deixando que ele se resolva por si, sem trabalhar em prol da “Ordem e Progresso”.

Também é nosso irmão todo aquele que: está sem casa; mora debaixo da ponte; fica nas portas das igrejas; dorme nas praças e marquises dos prédios das cidades, em cima de jornais e papelões e está com frio. Não tem roupa e nem cobertor; não sabe ler nem escrever; não vai à escola; caderno, livro ou lápis, não passam de uma utopia diante da sua situação de miséria e abandono total dos políticos e de todos que deveriam cuidar dele com amor, carinho e dedicação. Ele é apenas mais um fugitivo: da morte e da violência; da guerra do narcotráfico; da polícia; da corrupção; dos políticos enganadores; dos mentirosos; de todos os opressores e de todos os malfeitores da terra. Está com fome de: arroz e feijão; água; terra e pão; carinho; amor e atenção; momentos alegres; sorrisos; beijos e abraços dos seus pais e irmãos; acesso a uma educação de qualidade; cultura; esporte e lazer, para crescer, desenvolver-se e ser feliz. Está carente de beijos, abraços e carinhos, respeito e amor. Tem medo de: ser assassinado; ser excluído; ser discriminado; caluniado; abortado e jogado fora. É soro positivo; está com câncer e precisa ser amado, acolhido, compreendido e ser cuidado com amor. Encontra-se abandonado no campo ou na cidade, nos asilos e nos hospitais, nos orfanatos, nas periferias, num quarto escuro, sujo e fechado, não é visto nem ouvido, por vezes, legalmente nem existe. Seus pais estão aflitos, angustiados, desempregados e não conseguem cria-lo e protege-lo. Talvez ele ainda sinta alguma esperança e sonhe com um mundo melhor, onde os direitos são iguais e todos são respeitados, onde não exista corrupção e nem exclusão nem mentiras e não exista exploração, principalmente dos mais fracos, pobres e sofredores.

Nascer, crescer e viver feliz com dignidade é direito de todos. Respeito, ética e honestidade são princípios que não podem ter fim. O amor tem que florescer em todos os corações, para enfim, a humanidade alcançar a necessária justiça e paz social, com mais igualdade, equilíbrio e harmonia entre os povos de todas s nações, findando todas as guerras, toda fome, toda miséria e abandono. Somente assim, teremos um mundo verdadeiramente mais irmão.      

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