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Bucólicos e alcoólicos.

Bucólicos e alcoólicos.

Estou na mesma proporção de desgraça,
no mesmo lugar.
Melancólico, bucólico, e alcoólico como qualquer banco gelado que me aguarda sozinho. 

As vezes sinto que não sou tão interessante.
Que não te faço rir tanto assim.

Haveriam tantas estradas pra mim.
Teriam mais de cem caminhos até lá.
Meu novo mundo começa aonde o seu se limita a só um gole de bebida,
a somente uma fatia de pizza,
a poucos livros em sua estante,
perdida em sua cabeceira.
Deixando sua cerveja em cima da mesa, cigarros de brasa acesa.
Queimando a madeira.

Não tenho nada de valor que possa te agregar, não há nada em mim que possa te cativar e te fazer ficar. 
Mas seria bom pra cacete poder te segurar firme, todo dia, 
e sentir seu corpo preenchendo
o meu fim de vida.

Com tudo, sou mais esse inseto voando em direção à lâmpada queimada.
Procurando um raio no meio do nada, abraçando árvores e me tornando sombras nos galhos quebrados de sul a norte.
Beijando teu nome em uma conta de energia paga.

Que tudo o que eu toque, vire ouro, prata ou cacos, remanescentes de outrora em meu destino precavido de lucidez.
Qual eu tal um dia me fiz contente, me fiz feliz sobre você.
Me iludi em minha mente,
me salvei de memórias.
Te tornei a mulher da minha vida em tão poucas memórias.
As senhoras da minha rua olham entusiasmadas pra mim, pra você.

Então me afasto, cada vez mais me distancio. Cada vez mais desapareço e desnavesso na cidade, que já não mais pertencem a mim.
Moro no agora, que é tanto invalorável.

Bucólico, triste e alcoólico.
Não me agrega valor a nada. 
Não sinto prazer por hora. Porque as coisas dão tudo errado no exato momento certo. E fui tão correto em te perder e querer ao mesmo tempo.
As marcas em teus seios de meus punhos fechados,
ou dos licores que ingeri sem motivos.

Deixo que chova... apenas deixo.
E naquele momento soube que de nada eu poderia mudar.
Nada iria voltar atrás.
Os anjos me escutam pelas paredes abafadas. Eu sei que sim. Os anjos cantam, entornando taças de álcool.
Ludibriados por uma esperança que nunca vai embora.

Encantados,
esperando aquele lugar vazio se preencher.
Te fazer aparecer, sentada, de relance.
Suprir meus instintos de bon vivant, sem nenhum dinheiro no bolso.

Me desapaixonar por você, todo dia.
E fingir ser alguém normal que tenta aproveitar a vida.
Essa noite não lhe conheço.
E nessa noite, deixo eu ser todos os recomeços que existir.
Hoje eu escolho o que vou sentir. 
Assim... deixo você parar de existir em mim.


 - Hudson Henrique.
@hudsonhenrique | Linktree

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Hudson Henrique. Escritor e compositor brasileiro. Ganhador do primeiro concurso EternizArte, com o poema "Assoprando dentes-de-leão contra a tempestade". Site oficial: www.hudsonoficial.com Aonde mais me encontrar: https://linktr.ee/hudsonhenrique

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