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ALICE

 

 

 

 

ALICE

(André Luís Soares)

 

Alice, embebida de pureza,

há pouco tempo, chegara ao planeta,

ainda estava imune à maldade,

quando as notícias velozes

rasgaram-lhe as têmporas.

 

Lágrimas verdes vertendo das retinas,

pontas de dor aguda a lhe fisgar o peito,

grito de clave de sol, preso à garganta,

ela então, vê a santa desnuda

sob a luz fria do cotidiano...

momento em que o belo pintou-se de breu

(sabor amargo de inocência trincada).

 

Cansada, recolhe-se ao quarto,

a proteger-se dos cristais e plasmas.

Após sangrar lembranças, cerra pálpebras,

chora e soluça outra vez, sozinha.

Por fim, Alice adormeceu!

Em seus sonhos ainda existem flores,

a água e a verdade parecem cristalinas

e até o coração do homem é bom.

 

Acanhado, procurei algo

que a fizesse sentir-se melhor

quando acordasse;

tentei criar um origami, mas já era tarde...

eu só tinha em mãos, a realidade.




#Poesia #Concurso #Eternizarte

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