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A palavra, lavra

A palavra, lavra

 

“Que tempo enorme uma palavra encerra!”

W. Sheakespeare (1564-1616)

Ricardo II, Ato I. Trad. Carlos Alberto Nunes)

 

 

“Dize a tua palavra e segue o teu caminho, deixando que a roam até o osso”.

Miguel de Unamuno (1864-1936)

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A palavra

Por si mesma

É trabalho.

 

A palavra também é ócio, e

Por si mesma

É cio.

 

A palavra é til

Assento agudo

A palavra é grave.

 

A palavra

É suada

Molha a língua.

 

A palavra é suave

No pentagrama

Não da a mínima: pausa de tempo infindo.

 

 

A palavra

É obtusa

Se se mastiga

É oclusa.

 

A palavra é reclusa

Entre dentes

Enamora língua e silencia.

 

A palavra recusa

Entre lábios

Outras línguas.

 

Entre dentros

A palavra

Só se mostra no escuro.

 

A palavra

É lavra desconhecida

Aventura dizeres

 

A pá

(Lavra) a terra

Encerra o código.

 

A palavra é alimento

Que sai da boca

Cimento e verbo.

 

A palavra é livro

A palavra é espelho ambíguo

De imagem e transparência

De abismo!

 

A palavra é buraco

Buraco no vazio

De autor desconhecido.

 

A palavra

Lavra e trava.

 

A palavra é brava

Não tem limite

Não tem cava.

 

A palavra escrava

Se aperta incisiva

Entre um amor canino e uma mordida.

 

A palavra induz

Ela flexiona

Avessa a língua, traduz.

 

A palavra engendra

Aficciona-se hermafrodita

Seduz.

 

A palavra

individualiza...

Dar forma. Deforma.

 

A palavra fala

A palavra falo: como filha de Zeus, como filha de mnemósine

É estátua de lira e rosas: É Érato.

 

A palavra é poderosa!

A palavra excita...

A palavra goza.

 

Palavra é arma!

Combate! Salva argumentos

Molda. Estica. Erística.

 

A palavra sai!

Da boca, de bonde...

Vai prá onde?

# poesia #concurso #eternizarte

 

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Poesia

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