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(+18) Bastidores

(+18) Bastidores

quando adolescente,

como todo adolescente,

não sabia bem o que queria

da vida.

a personalidade a florescer

o tempo todo se confundia,

a agressividade que atropelava a gentileza,

a timidez que sufocava a libido,

o mundo que não me trazia respostas.

fiz cursos, pratiquei esportes,

qualquer coisa que se assemelhasse

a um caminho,

mas poucas vezes terminei o que comecei.

fiz teatro, e deste nunca irei me esquecer

do dia em que o professor, como exercício,

construiu um esquete em que haveria

uma cena de sexo.

escolhidos, eu e uma colega

a vestir apenas o tapa-sexo,

iniciamos o que seria um romântico diálogo

que culminava em intensos beijos e abraços.

e assim foi,

deitados num sofá velho usado como cenário,

eu subi na colega quase nua,

a boca em seu pescoço, a língua em sua pele

(que logo percebi que ficava arrepiada),

os corpos colados, o roçar dos sexos mal protegidos

pela camada fina de tecido,

tão fina que não suportou a minha ereção

e logo o pau duro, vivo, escapou do calabouço,

e agora queria outro tipo de cela

para se acomodar.

ela sentiu a cabeça inchada comprimindo-lhe o ventre,

e não reclamou.

continuou com a atuação, beijando-me, gemendo,

a se entregar como faria a personagem,

e não ofereceu resistência

quando a virei de costas.

deixou que o falo procurasse

o meio de sua bunda,

e a cabeça, sem entrar,

tocasse os lábios umedecidos.

tanto o professor quanto os outros alunos

perceberam o que aconteciam

(o cheiro de sexo, meu e dela,

estava por toda parte),

e em silêncio acompanharam a nossa

interpretação.

quando o professor mandou parar,

corri para o banheiro a esconder a ereção,

e ao voltar recebemos, eu e a colega,

elogios pela atuação sincera e intensa.

a colega me olhou rapidamente e se despediu,

o namorado a esperava do lado de fora do prédio.

outras colegas, no entanto, viriam depois me procurar,

com propostas de ensaios para outras cenas.

agora, passados tantos anos,

a ereção novamente preenche o meu pau enquanto escrevo,

só com a lembrança daqueles dias nos bastidores.

EternizArte
Guilherme Borges
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Português, amante da vida, amante da experimentação, amante dos sentidos. Correspondência: guilbox@sapo.pt

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